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A MULHER NA HISTÓRIA
Posted by Aline Oliveira
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6/30/2011 11:07:00 AM
O papel da mulher na história através dos movimentos sociais
Aline de Oliveira Rosa Moreira
Metade da população mundial é composta por mulheres, que executam cerca de 75% das horas de trabalho, recebem 10% menos da renda e possuem menos de 1% das propriedades. Através destes dados observamos que elas, de maneira geral, não são proprietárias nem de terras, nem dos meios de produção, nem da força de trabalho.
No entanto, não existe nenhum espaço de defesa da vida onde a mulher não marque sua presença ativa, como por exemplo: a passeata de grevistas em Petrogrado (S. Petersburgo), na maioria mulheres, reprimida pelo Tzar, é o estopim da Revolução de Fevereiro; a Primeira Celebração do Dia da Mulher, proposta da marxista alemã Clara Zetkin na Conferência Internacional da Mulher Socialista (Dinamarca, 1910), teve uma estimativa de 1 milhão de participantes; mais recente, a conquista da Lei Maria da Penha para defender as mulheres dos abusos e violência contra a mulher, entre outras grandes lutas e vitórias feministas. A mulher está sempre presente desde as lutas cotidianas pela sobrevivência até as manifestações coletivas de oposição a todo tipo de sistema excludente. Elas movimentam a economia, mas não são reconhecidas. Produzem segundo os ciclos da natureza, mas são expulsas das terras.
As mulheres sempre tiveram um papel social muito importante, desde o tempo da Antiguidade. Segundo Márcia Knapik, foram elas que “inventaram” a agricultura, ao perceber que onde caíam as sementes nasciam frutas, o que foi muito importante para os nômades que passaram a se fixar nos lugares.
Na Idade Média os conhecimentos que tinham das plantas que curavam foi intensificado entre as mulheres camponesas pobres que não tinham como cuidar da saúde, eram “médicas populares”, tratavam de todas as doenças indo de casa em casa, de aldeia em aldeia, o que mais tarde foi visto como ameaça aos médicos da época. Começou então a “caça as bruxas”.
No Feudo, as mulheres formavam verdadeiras comunidades, onde trocavam ideias e experiências, participavam de várias revoltas camponesas que precederam a centralização dos feudos, que deram origem posteriormente às nações.
Mas a mulher não era, até então, reconhecida como sujeito que pudesse decidir sobre seu próprio destino, muito menos quanto à sua sexualidade. Uma relação social desigual desde o começo e por muito tempo a mulher foi vista como reprodutora e dona de casa. Seu papel na sociedade era somente cuidar dos filhos, do marido e das obrigações domésticas, tudo se resumia em seu lar.
A partir do século XIX as mulheres foram ganhando mais visibilidade, tomando seu espaço na história e na sociedade, lutando pelos seus direitos sociais como creches, programas de saúde, de proteção à maternidade e infância, entre outros. Elas modificaram sua percepção de mundo e de si mesmas, facilitando assim a sua inserção pública em movimentos associados e, mais tarde, em outros espaços públicos.
Hoje vivemos o auge da mulher política e social, lutando pelo bom e pelo justo. Elas conquistaram grandes lugares como por exemplo: Chiquinha Gonzaga foi a primeira maestrina brasileira e também a primeira mulher pianista e compositora de “choro”; Rita Lobato, primeira médica diplomada no Brasil em 1887 pela Faculdade de Medicina da Bahia e também a segunda médica diplomada da América Latina; Celina Guimarães Viana, primeira mulher a obter o título de eleitor feminino, em 1927; Carlota Pereira de Queirós foi a primeira deputada federal do Brasil, em 1932; em 2009, aproximadamente 35,5% das mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho como empregadas com carteira de trabalho assinada, ficando somente com 8,4% abaixo do percentual observado na distribuição masculina (43,9%); houve aumento na sua participação política e hoje temos mulheres nos cargos de vereadoras, senadoras, ministras, governadoras e recentemente foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
Apesar de todos os avanços, ainda é difícil mudar uma mentalidade milenar e quase universal de uma lei dita “natural”. Gebara (apud KNAPIK, 2005, p.16) criticava a sociedade que reservava “ao homem a vastidão do mundo e à mulher, as fronteiras da casa.”. Quando paramos para analisar a história da mulher e/ou o seu papel na sociedade, nos deparamos com um árduo caminhar da mulher no mundo. Só o fato de ser mulher, no sentido de ser do sexo feminino, já a colocava numa situação de desprezo e desigualdade humana. Com uma visão moralizada, o mundo via a mulher minorizada pela figura musculina e essa visão ainda está presente nos dias de hoje.
Flora Tristán (apud KNAPIK, 1993, p.23) responsabilizava a igreja, a ciência e as leis pela precária condição de inferioridade das mulheres. Dizia que “a igreja, por sua doutrina, a considera o princípio de todos os males, a causa do pecado original, portanto, não tem nenhum direito dentro da igreja e ainda difunde esta crença entre a sociedade.”. Ela privilegia a independência econômica como o primeiro passo para a libertação feminina. Segundo ela “é um mesmo opressor o interessado na exploração do proletariado e da mulher, o capitalista, e que a opressão extrema da mulher o permite explorar mais facilmente o proletariado.” (TRISTÁN apud KNAPIK, 1993, p.23)
É bem verdade que o reconhecimento da mulher se deu na maioria das vezes dentro dos movimentos populares e sociais em que elas militavam. Portanto foi através da militância que a mulher trouxe à sociedade um avanço no reconhecimento da mulher no mundo ocidental. Um exemplo foi o Movimento Popular de Mulheres do Paraná (MPMP), que atuou de 1981 a 1993 e tinha como principal objetivo a construção de uma sociedade igualitária. Para tanto fazia um trabalho de conscientização, formação e capacitação de mulheres. Importante citar também a União Brasileira de Mulheres (UBM), que luta há mais de 22 anos por um mundo de igualdades e contra a opressão as mulheres.
As mulheres, dentro dos movimentos sociais, participam do processo de elaboração de um novo projeto político de sociedade, onde não se tenha uma política amparada numa burocracia hierarquizada, patriarcal e atrasada que continua excluindo o povo de seus direitos fundamentais.
Para construir a história as mulheres tiveram que reconhecer o seu papel, descobrir-se como “eu” - pessoa portadora de valores, direito, capacidades e contribuições a dar em todas as dimensões da vida, construindo assim uma história de lutas.
Os movimentos sociais propuseram para a mulher um meio, um veículo, para a mobilização das mulheres em prol da sua cidadania e seus direitos. A mudança está somente na viabilização de uma manifestação de dentro para fora, da mulher para a sociedade. Quem constrói os movimentos sociais é a mulher, os movimentos sociais têm o papel de mobilizar, politizar e levantar as revindicações, mas o trabalho quem faz é a mulher, que encontra em si mesma a força para lutar pelo bom e pelo justo, afim de que haja uma emancipação e uma igualdade para todos.
A memória histórica da mulher constitui-se de lutas coletivas por melhores condições de vida e contra todas as formas de discriminação e exploração, constituindo uma arma de luta, para que as novas gerações entendam as conquistas atuais, como fruto da resistência, dedicação e sacrifício de pessoas das gerações que as antecederam.
Mesmo com o avanços consideráveis na sociedade em relação às questões de gênero da mulher (gênero não inclui somente sexo, mas classe e raça), no entanto, em pleno século XXI as mulheres ainda têm pouquíssima representação política (se comparado ao homem), mesmo contribuindo com a riqueza que é socialmente produzida na sociedade. Por isso o trabalho das mulheres nos movimentos sociais, além de lutarem por seus direitos e igualdade social, é despertar nas próximas gerações uma caminhada, é preciso muita coisa ainda a ser feita e muita luta pela frente.
Não é um desejo das mulheres dos movimentos sociais ser iguais aos homens, mas seu objetivo é serem reconhecidas como sujeito e não como propriedade, é serem valorizadas e entendidas como produtoras da vida e do crescimento político e econômico, portanto, tomar os seus lugares numa sociedade machista. É poder ser livre para escolher e para se expressar, é ter igualdade.
Graduanda em Filosofia na PUC-PR, 2011.
Referências:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em:
KNAPIK, MÁRCIA CARNEIRO. Movimento Popular de Mulheres no Paraná: 10 anos construindo vida. Curitiba-PR, Gráfica popular: Cefúria, 2005.
UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES DE CURITIBA. Disponível em:
UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES DE SÃO PAULO. Disponível em:

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